Casa das mentiras:::

My Favourite Things
(Björk)
(...)
Girls in white dresses,
With blue satin sashes,
Snow flakes that stay on my nose and eyelashes,
Silver white winters,
That melt into springs,
These are a few of my favorite things . . .

-El Blog esta activo desde 18 de Marzo de 2003.

-Biene viendo...



miércoles, diciembre 19, 2007

Amigos de infância

À medida que Alan crescia, os propósitos pareciam minguar de sua vida. Ele não pensava que era uma criança que, aos poucos, virava um adulto. Não. Para ele, havia um propósito que parecia se tornar, cada vez mais, translúcido e transubstancial, até que desaparecesse. E foi assim que aconteceu. Aos 17, em meados de julho de 1997, o que era uma imagem fantasmagórica, rala, pareceu se extinguir, deixando um vazio frio e imenso, cheio de ódio. “O que está acontecendo comigo? O que eu perdi?!”, ele se perguntava em lamurias. Era difícil pensar que mesmo o último resquício de chama, que queimou como uma brasa tímida na semana anterior podia, mesmo sendo tão minguante, protegê-lo do grande nada existencialista que veio depois.
Para combater essa agonia, que o assaltava todos os dias pela manhã, e que, a noite, correndo como um lagarto pelas paredes do quarto, zombava dele, Alan macDectera decidiu praticar boxe. Socar um rosto liso, bater forte quando o juiz se descuidava, apanhar até o esgotamento e mesmo assim tentar levantar, sorrir ironicamente da derrota e não parar até que as vistas escurecessem ou o corpo simplesmente parasse de responder eram, de fato, um bom remédio. O monstro ficou um pouco mais tímido quando o corpo do rapaz começou a endurecer, e ousava menos. Alan descobriu que não fugir lhe dava força, e começou a mudar novamente.
O vazio, com as novidades, pareceu menor. Mas, mesmo assim, não desapareceu. Mesmo o sangue na gengiva e o olho roxo, que até atrapalhavam um pouco as relações na faculdade, o ombro frequentemente deslocado e a impetuosidade de levantar-se sempre no momento seguinte, diante de um oponente, então, amedrontado, mostrando àquele réptil asqueroso que as risadas não o intimidavam, mesmo os cruzados certeiros, não conseguiam, senão, diminuir o espaço do vazio, e então nada mais o satisfazia, e, em algumas noites, o lagarto parecia crescer no quarto, e, esses dias eram sempre ruins.
Quando tudo parecia perdido, no entanto, a música alta, com violinos e violoncelos, piano e tambores de Wagner, costumava, ao menos, silenciar sua mente que, perdida em divagações sobre a história, o colocava em diferentes momentos da realidade do mundo. Então ele se sentia só, mas preenchido. Nessas horas, quando se via sob diversos aspectos, mirava em si uma unicidade que não conhecia. Era fugaz, mas porque era difícil fixar a mente naquele real “si” por muito tempo, não que não fosse verdadeira. Parecia a coisa indescritível que ele havia perdido um ano antes. Mas os pensamentos logo cacarejavam como galinhas que fogem desordenadamente de um predador, e ele se perdia novamente, deitado em sua cama, após um longo dia, procurando respostas sem saber qual era a pergunta.
Os pequenos achados, os tesouros escondidos no caótico baú da mente, começaram a guiar o jovem, que os levava como amuletos para as horas mais difíceis. Eram possibilidades secretas, iluminações infantis que valiam mais que um ano de leituras, e todo o tipo de idéias que, aos poucos o colocava não contra, mas, além das circunstâncias. E como era bom. Tudo parecia seguir uma harmonia, e seus socos eram como flechas, e seus movimentos eram como o de um bambu na ventania, e seus passos eram as chamas nervosas lambendo o mato seco, e seu trabalho uma seqüência de eventos naturais quem não eram nem bons, nem ruins.
Mas o equilíbrio era delicado, difícil de manter, como aquele vislumbre noturno que o assaltava, e ele, por vezes, era mais pinheiro que bambu, e o vazio hora crescia muito, hora recuava. E nos intervalos, uma estranha surdez parecia anunciar a tormenta ou a bonança. E o mundo parecia se chocar. E, no meio do campo de batalha, do maremoto, do furacão, dessa enxurrada de dualidades, lutando pelos dois exércitos, estava o pequeno e destemido soldado de si, Alan, o desesperado, que, por via das dúvidas, lutava. Seus olhos eram calor, seus lábios frieza, seu cabelo negro, raspado quase que completamente, dureza, seus ombros largos, flexibilidade, e seus parentes não o entendiam. Mas, o dia em que foi levar a mãe na casa de uma velha amiga dos pais, uma senhora que tinha uma filha da qual ele tinha uma vaga recordação, ele escolheu o lado do exército, e as mudanças paulatinas tomaram um rumo inesperado.
Aquela casa grande, na periferia da cidade, a quase uma hora de distância a sua, guardava em si um ar misterioso. A mãe de Alan, Maria, sempre falava da amiga, Hilda, com uma certa reverência. Grades escuras, flores e trepadeiras, um jardim antigo, com uma fonte interrompida pelo tempo, pedras branco-cinzentas pareciam sacralizar tudo. E o jovem andava admirando aquele estranho clima de “algo mais” que pairava no ar, até ouvir uma música em um violão, que parecia distante. Jesus, Alegria dos Homens, de Bach, fluía de cordas e parecia vibrar em tudo, e acertou em cheio o coração pulsante do boxeador que, antes entediado, queria, unicamente, seguir aquelas notas. A porta dupla, grande, de madeira escura, se abriu revelando uma feliz senhora. A música se tornou mais vívida. Mãe e filho quase foram puxados para dentro.
“Você, de fato, cresceu, meu rapaz!”, dizia Hilda, com seu rosto branco e cheio. “Pena que seu pai não te viu ficar assim... Ouvi dizer que ganhou medalhas em um concurso de boxe. Isso mesmo. Assim que os homens devem ser. Flora também está diferente. Vocês não se vêem há mais de 13 anos... meu Deus, como o tempo passa. Estou velha. Ela está no quarto, tocando violão. É uma artista. Você precisava ver no sarau que demos. Aposto que não vai reconhecê-la. Não deve nem lembrar dela”, a velha senhora falava sem deixar que Alan respondesse, e o jovem, por sua vez, ainda estava preso às notas do violão, que agora eram uma seqüência de experimentos com trechos de muitas outras músicas, mas não menos belas. “Suba”, ela ordenou sorrindo. Vocês vão gostar de se ver”, e Alan atendeu imediatamente à voz doce da senhora, enquanto Maria apenas sorria ao lado do filho, vendo a habilidosa amiga exercer o velho poder obtuso de fascínio sobre as pessoas.
Hilda voltou-se para Maria, que vestia uma longa saia escura, e um chalé laranja extravagante, e a abraçou. As vestes claras da velha mulher contrastaram com o colorido cinzento da mãe do jovem boxeador, e ambas se retiraram enquanto Alan macDectera subia as escadas seguindo as notas como um cão que fareja algo bom. No andar de cima, em um corredor iluminado com luzes que simulavam velas presas às paredes, na segunda porta, sons espaçados das cordas do violão. Ele empurrou sem bater. As paredes brancas foram se revelando, cobertas de belos e estranhos quadros, tudo muito bem iluminado, e no centro, em um divã, com longas saias azuis, mãos finas e ágeis, um cabelo castanho muito escorrido, e uma estrela dimetileno pintada no lado esquerdo da face, sob o olho, e uma ele muito branca, ela sorriu como quem é interrompido, mas se deixa ser gentil. Era uma fotografia, uma ora de arte, um momento único, tudo. Era tanto, mas tanto, que o jovem não conseguia estar, mente e corpo, naquela hora, em qualquer outro lugar que não fosse aquele.
“Flora?!”, ele perguntou com os lhos fixos no ser quase etéreo que lhe sorria. Ela olhou para o violão e começou a tocar e cantar, não como quem o ignorasse, mas como uma antiga saudação, de pessoas que se uniram há muito com um laço espiritual. De fato não a reconhecia. O rude boxeador, com gaze escondendo as feridas nos dedos, moletom cinza mesmo no calor, jeans preto e tênis, ficou com a mão esquerda apoiada na fechadura, enquanto via aqueles lábios entoarem um canção. O mundo se desfiava como uma colcha, sob o som que parecia vibrar na mesma sintonia dos pensamentos de Alan. A música terminou suave, com um último suspiro de um moribundo que parte feliz e satisfeito na barca de Caronte, se olhar par trás. O sorriso mais belo do Planeta tomou conta de tudo. “Ola!”, uma voz infantil, rouca e determinada disse.

::: postado por Luiz C.: miércoles, diciembre 19, 2007, horário de Luanda, África
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domingo, diciembre 16, 2007

Perdido

Abro os olhos,
Com Maria.
O coração dispara.
Menina voluptuosa,
Acorda sorrindo para mim,
Com seus olhos azul céu,
Seus lábios negro asfalto,
Seus dentes de paralelepípedos,
E sua pele friorenta.
Essa é minha Maria,
Essa é Maria Sargeta.


Ressurreição

Tenho fome de mundo,
Tenho pressa,
Os segundos corem um a um,
O relógio biológico passa as horas do corpo,
A vida é uma linha expressa.

Os dias nascem e morrem,
Anônimos como sempre,
Não sei se alcançaremos o momento,
Se morreremos sabendo ou não.

Do que? Não descobri.
Vivo e não sou ninguém.
Tenho fome de mundo,
Corro com meus dias,
Me estudando a fundo.
Tenho muita pressa mesmo,
Tenho fome de mundo...


Nascido das trevas

Mundana, insana,
Sem pano algum no corpo,
Seguindo, chorando,
Sem pudor algum no rosto,
gozando, sangrando,
Ela geme em alvoroço.

Foi um dia tão inocente,
Menina criança, gente.
Hoje, amante gentil,
Vampira, leoa, serpente.
Veio revirar meu mundo,
Obliquo, a nada inerente.

Mostrei a ela o caminho,
A trilha pagã da salvação.
Tomei dela a pureza,
Sorrindo e gemendo uma cação.
Que os demônios de nosso belo cosmo,
Abençoem essa prevaricação.

O ventre dela preenchido,
Completa a nossa crucificação.
Nasceria daí um rebento,
Ânsia da vida e da incompreensão.
Ela foi virgem, pura menina,
E ressuscitada como um Dragão.


Apocalipse

O carpinteiro trabalhava
Curvas indeterminadas.
Uma amante de madeira
Com seios e alma talhada.
Mas a plasmação da noiva,
O univerço tolia.
Eram formas idealizadas,
Por uma vida atormentada.
Então em acesso de fúria,
Ele cedeu marteladas truncadas,
A a estátua futura,
Chorou pela face lascada.

Quebrou-se deixando a sombra,
De uma beleza esmerada.
E fez para todos a falta,
de uma existencia encerrada,
Cuja presença não esteve,
em nós jamais aclarada.
Cerragens de realidade,
Em uma iluzão revelada.


Capelo

Vôo com minhas asas,
Asas que Deus me deu.
Vôo com minhas asas,
No infinito céu.
Inclino, levanto, rodopio,
Com o sol e o seu calor.
Vôo com as asas da alvorada,
Os caminhos de meu mentor.
Vertiginosamente vôo,
Vôo para o amanhã.
Alçando vôo, os sonhos,
Gaivota de esplendor.

::: postado por Luiz C.: domingo, diciembre 16, 2007, horário de Luanda, África
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miércoles, diciembre 05, 2007

Partida inusitada

Ariana recebeu mais uma carta do Padre Belga. Não sabia quem era realmente a pessoa que a escrevia, e isso a angustiava. Mas o que realmente a incomodava era o seu correspondente tratá-la com profundo conhecimento de causa, respondendo, parágrafo por parágrafo, as perguntas que surgiam na mente da freira. As indagações levantadas pelo misterioso homem eram ainda piores, e a vida turbulenta da jovem, graças a um personagem de cartas, parecia às beiras de virar, novamente, de cabeça para baixo. A madre superiora não a olhava bem, e, cada vez menos, também, a jovem se adaptava ao convento. Ela sabia que seu mais novo amigo, Artur, coincidentemente, ou não, recebera a visita do padre quando estava preso, e que era ajudado por uma pessoa próxima ao correspondente enigmático.

“Querida Ariana,
Acredito que você não vá agüentar muito tempo no convento. Não é de sua natureza. Você clama por sua identidae, e eu a tenho aqui comigo. Um trabalho que vai te levar exatamente aonde você quer chegar. Mas, a pergunta é: aonde você pretende chegar? Ou porque o mundo parece tão indefinido? Quem, de fato, é você? Me encontre e terá as respostas que tanto almeja. Sei que você pode contar com seu amigo Artur, e, até, mantê-lo longe de encrencas. Ouça seu coração, e movimente-se.”


Era um pequeno envelope rasgado. Não era a primeira carta que recebia, nem a mais estranha delas, mas era a gota d’água. Parte da carta tivesse sido destacada e levada. Talvez fosse hora de arriscar todas as fichas, e a freira penava mesmo nisso. Claro que queria se dedicar ao sagrado, e se dedicava às atividades do convento, mas sentia falta de algo. Sofria de uma inquietude que sempre a dizia que terços e adorações não eram suficientes. Enquanto refletia no jardim, recebeu, surpresa, a visita de ninguém menos que Artur, que a esperou no portão, do lado de fora. Os cabelos do jovem começavam a crescer, e escureciam o couro cabeludo. Na face, uma barba rala. Ele acenou da rua e sorriu. Ariana desceu, sob o olhar reprovatório de outras irmãs, para falar com o rapaz de aparência mundana.

Ele abriu o portão. Estava com o coturno para fora da calça jeans, blusa branca e uma jaqueta vermelha amarrada na cintura. Ariana usava uma roupa praticamente igual a que usava no albergue, exceto que estava descalça. Fazia frio, embora o sol brilhasse pálido entre as nuvens. Havia uma grande árvore sem folhas diante do convento, que era uma construção antiga, e pisca-piscas de natal enrolavam os galhos desfolhados ela estação. Seus olhares pareciam ansiosos um elo outro. Tinham se despedido sem expectativa de se verem, mas se reencontravam como se esperassem um pelo outro com hora marcada. Ariana chegou ao portão sentindo o frio gelar seus pés. Artur estendeu-lhe a mão.

- Sabia que te encontraria... Passei as últimas duas semanas te procurando, Ariana. Senti sua falta. Demorei para vir aqui porque meu novo emprego não me permitiu antes. Agora sou entregador, e ganho melhor que no Corpo de Bombeiro.

- Que engraçado. Estava mesmo pensando em você... Que bom que veio. Precisava te fazer umas perguntas... Precisava de você para me fazer companhia.

Artur estranhou, mas não se alterou. Estava sorridente e, aparentemente não andara brigando. Sua aparência, saudável, superava muito o Artur que conheceu Ariana no albergue para pobres da cidade. A menina continuou, com a voz baixa, como se confessasse um crime.

- Não te falei... Mas o tal Padre Belga me escreve há quase um ano, e está virando meu mundo de pernas para o ar. Preciso conhecê-lo. Preciso sair e está ruim ficar aqui. Não quero que a situação fique insuportável, e já vi esse filme antes.

Artur estranhou a aflição na voz da amiga, e olhou compenetrado para os olhos de Ariana. Ele não sabia onde estava o padre, mas talvez fosse hora de procurá-lo, já que quase tudo que havia conseguido depois de sair da cadeia tinha lhe sido oferecido por influência do misterioso homem magro que lhe visitou um vez, aparentemente sem propósitos.

- O major está viajando. Seria nossa principal ligação com o padre. Cuido da casa dele. Quer me visitar?

- Não. Quero ir com você. Quero fugir daqui. Quero ir embora...

Os olhos da jovem estavam cheios de lágrima. As sobrancelhas de Artur se endureceram novamente. Ele não sabia lidar com esse tipo de situação, principalmente se tratando de mulheres. Sentiu raiva do convento, imaginando que tipo de lugar não era capaz de abrigar uma pessoa tão doce. Queria levá-la, embora não soubesse como seria explicar para o major o ocorrido depois. A madre superiora apareceu na janela vigiando o casal. Artur teve vontade de atirar uma pedra.

- Não sei quem sou, Artur. Esse é o meu problema. Não consigo me encontrar. Nada está bom, e eu preciso de mais. Sei que ainda não entendi a missão que Deus me designou, mas quem aqui entendeu? O padre mexeu com a minha cabeça. Que droga... Que droga... Que droga...

Artur a abraçou. Ela se deixou cair nos braços do amigo, enxugou as lágrimas nos ombros largos do jovem e se recompôs. Por uns instantes, o amigo sentiu o pequeno corpo se debruçar rijo sobre ele. A menina sorriu como se nada tivesse acontecido, mas sem conseguir esconder o desapontamento que sentia com a vida, e afastou-se.

- Vou pegar umas coisas e vamos. Ok? Não quero mais ficar aqui, e seu amigo nos deve respostas. – Falou com decisão.

O rapaz acenou com a cabeça sem saber o eu dizer, mas, impulsivo como era, quis saber como tudo acabaria. Quinze minutos depois a jovem voltou com uma mochila. Algumas irmãs acenavam chorando da porta, mas nenhum movimento a mais podia ser percebido do lado de dentro do convento. Ariana seguiu Artur, que a levou até uma moto de terceira mão que estava acorrentada em uma árvore algumas casas abaixo. A sensação de partida aliviava a garota, e ele se sentia fazendo o certo, então seguiam juntos. Pela primeira vez ela andava de moto. Subiu no veículo amarrando as saias nas pernas e abraçou o amigo. Foram até uma casa de dois andares, porém pequena, nos arredores da cidade. Novas possibilidades se abriam diante do casal.

O carteiro deixou uma carta na caixa de correio e partiu. Um pássaro deu um rasante em uma poça de lama. A moto barulhenta de Artur anunciou a chegada do rapaz. Ele entrou no jardim de mato verde e foi pegar o envelope que estava visível. Ariana subiu as escadas e esperou na porta. Queria se esconder do mundo, agora que sua mente se apaziguara, mas não se arrependia das mudanças. O amigo ficou atônito lendo a carta. Era um convite do Padre Belga, e envolvia uma jornada de vários dias que devia começar a ser empreendida o mais rápido o possível, se quisessem seguir o prazo. Estava rasgado na parte de cima, também como se houvesse sido destacado. A menina desceu as escadas e foi até o seu salvador. Era fim de tarde, e as crianças corriam barulhentas pela rua, e carros passavam interrompendo às brincadeiras. O casal se entreolhou e Artur começou a ler a mensagem em voz alta.

- Acredito que já estejam juntos. Precisam estar, até dia 25, no fim da tarde, no cânion do Morro Verde. Algumas respostas estarão aqui. Desculpem o jogo de esconde-esconde, mas preciso saber se encontrei às pessoas certas. A viagem deve ser feita a pé. Aguardamos vocês. Belga.

Estavam lado a lado, quase abraçados. Seus braços se roçavam. Os dedos das mãos de Artur e Ariana se envolveram, e ele a olhou como quem tivesse que partir antes da hora, mas decidido.

- Vou pegar minhas coisas. Acorrente a moto e vamos. Eu já estive lá uma vez. Serão quatro dias de caminhada.

- Vamos mesmo sair agora?

Ele acenou com a cabeça e entrou na casa. Ariana o esperou do lado de fora. A menina, que ansiava por respostas mais que o amigo, começava a achar que os acontecimentos estavam se desenrolando um pouco mais rápidos que o previsto, além da sensação de estar sendo observada. Como o padre podia mandar aqueles recados tão pontualmente afinal de contas? E será que a carta de Artur era a outra metade da carta de Ariana? Por outro lado, viajar com Artur era uma idéia animadora. O jovem trancou a porta, enfiou a chave no bolso e saiu pelo portão. A amiga o seguiu. Pé ante pé, foram rumando para fora da cidade. O cenária ia mudando, e a noite escurecendo. Estavam na beira do Morro Verde quando anoiteceu. A verdadeira caminhada ia começar. Arrumaram cobertores finos sobre uma árvore e se prepararam para sonhar.

::: postado por Luiz C.: miércoles, diciembre 05, 2007, horário de Luanda, África
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- Os personagens citados nos textos SÃO FRUTOS DE MINHA IMAGINAÇÃO. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

- Todas as imagens por Luiz Calcagno, exceto Livros (Anna Karla), Menina Sentada na Cama (Nara Lacerda), Dedos (Pcastro), Feira (Neto) e Menina Fotográfica (Yoko).

- Hasta siempre...

Luiz, 24, jornalista.
Latino-americano de espírito, Luiz Calcagno Fettermann nasceu no dia cinco de outubro de 1982. Desenvolveu este blog com a finalidade de publicar seus textos e examinar a progressão técnica do que vem criando desde os 12 anos. Este espaço é um laboratório literário pessoal. A permanência dos textos está sujeita às alterações de humores do autor.
Mariana Proust, Brasília, 25 de Maio de 2005

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