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-Biene viendo...
lunes, mayo 21, 2007
Humano
Marla se olhava no espelho. Retina fixa, sol entrando pela janela do quarto, batom, esmalte vermelho e ansiedade. Do lado de fora, na frente da casa, dentro do carro, Jonas aguardava sua enigmática musa. Domingo ensolarado, pássaros voando sobre a Asa Sul, biquíni, calção de banho e chicletes.
Será que ele sabe? Marla se perguntava com medo de sair. Ele nunca iria descobrir. Sou perfeita. Olho meus dedos, meus lábios, meus olhos. Ele nunca desconfiaria. Meu senhor me criou com tanto cuidado, e me deu tudo: cultura, comida, e sou até capaz de tocar piano. Coisa que nenhum da minha espécie jamais conseguiu. Mas o que vai acontecer entre nós? Será que ele descobriria?
Jonas buzinou duas vezes. Estava ansioso. Marla era uma menina tão sincera e tão diferente de todas que ele conheceu. Queria beijá-la. Queria mostrá-la o sol no parque, a Chapada, seus amigos e seu ideal. Nunca quis se abrir tanto assim com alguém. Era muito mais dado ao silêncio e ao trabalho. Se sentia como um guerreiro se sente ao encontrar a bainha que descansa sua espada.
Marla saiu de jeans, rebolando, com unhas vermelhas, o eterno sorriso tímido, os cabelos cacheados negros, óculos escuros, tudo se movimentando harmonicamente, brilhando sob o céu azul de Brasília. Jonas pulou do carro, sorriu e abriu a porta do passageiro para que a moça pudesse entrar. Ficaram se encarando por breves, porém longos segundos. Jonas deu a volta sentou-se e deu a partida. Olhou os dedos magros e o esmalte vermelho bem pintado e sorriu.
Marla não resistiu àquela silenciosa expectativa. Enquanto o rapaz olhava as mãos de Marla, a menina às levou ao rosto do rapaz, acariciou os cabelos do jovem e beijou-o delicadamente. Jonas retribuiu o beijo com o coração em disparada. Quase não acreditava. A jovem estava para atacá-lo ali mesmo, e teria feito se não fossem suas aulas de etiqueta e comportamento.
Depois de um longo e preenchido beijo, com suas línguas quase trocadas, Jonas engatou a primeira e deu partida. Vamos para o Poço Azul, ele disse. Encontraremos o pessoal lá. Você vai gostar deles, eu prometo. Marla sorriu daquela forma, baixou o sombreiro e conferiu a sobrancelha no espelhinho apaixonada e cheia de si.
O carro virou a esquina. Marla estava feliz. Ele não notou. Quem bom. Que bobagem a minha. Ele não vai notar se eu não disser. Guardo muito pouco daquela época. Não há como imaginar que eu fui um gato no começo da minha vida.
::: postado por Luiz C.: lunes, mayo 21, 2007, horário de Luanda, África
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- Os personagens citados nos textos SÃO FRUTOS DE MINHA IMAGINAÇÃO. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.
- Todas as imagens por Luiz Calcagno, exceto Livros (Anna Karla), Menina Sentada na Cama (Nara Lacerda), Dedos (Pcastro), Feira (Neto) e Menina Fotográfica (Yoko).
- Hasta siempre...
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