Casa das mentiras:::

Sangue Latino
(Secos & Molhados)
Jurei mentira s e sigo sozinho, assumo os pecados
Os ventos do norte não movem moinhos
E o que me resta é só um gemido
Minha vida, meus mortos, meus caminhos tortos,
Meu sangue latino, minha alma cativa
Rompi tratados, traí os ritos
Quebrei a lança, lancei no espaço
Um grito, um desabafo
E o que me importa é não estar vencido
Minha vida, meus mortos, meus caminhos tortos...

-El Blog esta activo desde 18 de Marzo de 2003.

-Biene viendo...



martes, noviembre 21, 2006  

O primeiro passo da trilha

Ninguém é escalador de montanhas sem mais nem menos. Antes de ser escalador de montanha, a pessoa tem sempre uma vida um pouco diferente em algum aspecto. Não é algo sobrenatural, mas pode ser, não é coisa de superdotado, mas pode ser, não é para-normalidade, mas pode ser. É um ponto de vista, uma maneira peculiar de observar os acontecimentos da vida. Um para-normal pode ser tão medíocre quanto um egoísta inveterado ou um consumista. E pode ser que um homem do campo, alheio a todo o tipo de tecnologia, analfabeto de pai e mãe e bronco sobre algum aspecto da vida seja um verdadeiro escalador de montanhas.

Não é necessário ter muito dinheiro, não importa ter pouco dinheiro, a única coisa que importa a um escalador é sobreviver para chegar ao topo uma última vez e ver o nascer e o por do sol. O escalador de montanhas é responsável pelo seu equipamento, que pode ser refinado ou nenhum. A irmandade não possui cedes, não cobra mensalidades. A condição social, a etnia ou o credo não significam nada para os irmãos.

Escaladores se identificam através de palavras chaves, apertos de mão ou símbolos sutis pintados a mão em camisetas brancas.

A verdade é que tem muito escalador de montanhas por aí que não está escalando uma montanha e nem conhece a ordem. Escaladores de montanha nem sempre escalam montanhas no sentido literal da palavra. Newton, por exemplo, só enxergou longe porque "estava apoiado em ombros de gigantes". É uma típica visão de escalador. É o melhor exemplo de escalador de montanhas. Se houvesse naquela época uma Irmandade dos Escaladores de Montanha, Sir Newton com certeza faria parte dela.

É fundamental que todo escalador saiba que ele próprio será sempre a maior das montanhas, escala-la é a única verdadeira vitória.

A Irmandade dos escaladores de montanha nasceu em 1965, no Pico da Neblina, a montanha mais alta do Brasil. Uma francesa que nunca teve o nome revelado, seu fiel acompanhante e discípulo holandês, Igor Hans, Anamaya, uma peruana adolescente descendente direta dos reis incas, e Gabriel, um impetuosos jovem brasileiro de longos cabelos e espessa barba castanha em seus 25 anos.

Para entrar para a ordem é preciso ser convidado por um escalador exatamente quinze dias antes de uma subida às montanhas. Deve-se estar disposto a abandonar tudo, embora raramente seja preciso, e é necessário saber que desistir de escalar uma montanha antes de chegar ao seu fim é desistir da ordem e de seus ideais. Os membros da irmandade geralmente são jovens e escalam pelo menos duas montanhas por ano, sendo que uma é sempre a mais alta do país em que se está, no equinócio de inverno, para a reunião anual que é celebrada em espanhol. Todo o resto sobre aos escaladores ainda é muito enigmático para ser afirmado.

::: postado por Luiz C.: martes, noviembre 21, 2006, horário de Luanda, África
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lunes, noviembre 13, 2006  

Os Escaladores de Montanha

Rude abriu os olhos acordado pelo sol quente da manhã. A fogueira era só brasa. Eduardo já tinha acordado, e Anne estava preparando uns sanduíches com os últimos pães. A luz do sol por entre a copa avermelhada das árvores deixava todo mundo bem humorado. Rude esfregou os olhos e Eduardo ofereceu água ao amigo. Ele lavou o rosto, bochechou e cuspiu, e saiu desengonçado do saco de dormir.

Já eram quinze dias de caminhada. Subida e apenas subida. Longe dos carros, dos computadores, os celulares não pegavam, e o único barulho urbano é a passagem de um ou outro avião. Rude preparou o mapa. Os olhos verdes de Anne ficaram encarando o rapaz. Eduardo sentia-se só essas horas, e só mesmo o amigo de Edu não percebia o interesse da jovem.

Os amigos levantaram acampamento e começaram a caminhar às oito da manhã. Rude foi na frente, com o mapa e a bússola e Eduardo foi atrás, marcando o caminho. Volta e meia os dois amigos explicavam para Anne o sentido dos Escaladores de Montanha. Falavam sobre o esforço contínuo, sobre como as montanhas eram escadas, e uma escalada era sempre um degrau anterior à próxima montanha, mais alta. A busca pelo Topo do Mundo.

Naquele dia a caminhada terminou mais cedo, às 16h ao invés de às 18. Pararam numa cachoeira belíssima, e, como era de costume, fotografaram bastante, tomaram banho, nadaram, falaram besteira e batizaram o local. Como Anne era nova no grupo decidiu o nome: Cachoeira dos Anjos, porque tinha uma pedra que parecia o rosto de uma mulher em samadi num lugar próximo à queda d¿água. E finalmente, ali, O tolo Rude percebeu que Anne estava interessada nele, e o simples Eduardo começou a escrever seu diário. Eles não sabiam era que aqueles dois últimos acontecimentos seriam decisivos para o futuro de suas vidas... Um diário e um amor.

::: postado por Luiz C.: lunes, noviembre 13, 2006, horário de Luanda, África
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jueves, noviembre 02, 2006  

Em 80 dias...

Um grupo de turistas caminha em direção à Machu Picchu. Para alguns era uma viagem a mais... um lugar exótico. Para alguns poucos, estar naquele lugar, ver aquilo, fazia parte de um plano de vida que se estendia desde uma disciplina e uma preparação física, até um desenvolvimento emocional e mental. Ninguém vê a Esfinge com os mesmos olhos. É como um antigo provérbio: "Há quem passe por uma floresta e só veja lenha para sua fogueira."
(...)

Joshua - E aí então, depois de toda a coleção de recorte de jornais, eu acho que ele começou a procurar àquelas pessoas. Nem todas estavam vivas... Mas ele presenciou feitos que só a tecnologia de ponta em laboratórios, hoje, admite. Por exemplo experiência com levitação de matéria pelo som. Coisa de Nasa que algumas tribos africanas fizeram com tambores para ele ver.

Maria - Em minhas viagens eu tive a oportunidade de ver coisas bem estranhas também. Principalmente na África e, pasme, na França. Nos subúrbio de Paris, lá tem muita coisa meio que sem explicação... E o melhor e que quem realiza os fenômenos se põe à prova. Eu vi um cara na África, um médico, um senhor negro bem estudado, que fez faculdade em Londres, mas que curava com o que tinha aprendido em sua tribo. Ele fazia o que os médicos fazem. Mas ele também apertava lugares no corpo que curavam alguém numa velocidade incrível. Ele falava algumas coisas... Parecia coisa de filme.

Joshua - E no entanto não vão à TV. Acho que o capitalismo não presume, não aceita isso. Mas acho que ninguém acreditaria mesmo. Eu falo por mim. A primeira vez que eu vi uma coisa assim, uma mulher que cortava a própria mão e colocava de volta no lugar. É óbvio que eu não acreditei. Isso foi no Haiti. Uma semana depois voltei lá com uns vídeos de truque. Para desafiar mesmo. Ela cortou minha mão e pôs no lugar. Quase desmaiei.

Maria - Credo! Cortou sua mão! Que coisa horrível... Teve um mesmerista que me hipnotizou. Meu pai falou que eu hergui uma pedra que tinha 15 vezes o meu peso. Foi tudo filmado. Mas eu não me lembro de nada... E visitei uma caverna nos Estados Unidos onde você fica vendo um monte de sombra de crianças brincando, gritando, chorando, correndo, tudo a sua volta. Mas não tem ninguém além de você e do guia, um índio muito sério.

Joshua - Depois dessa com a mão comecei a estudar sobre essa "ciência". Descobri que por trás do sensacional, tem muito mais teorias, filosofias... É todo um universo. Nem importa muito você fazer qualquer uma dessas coisas...

Maria - É. Como naquele filme, como se chamam mesmo? "Quem Somos Nós". Eles falam de coisas sensacionais. Mas o importante mesmo é o que eu chamo de julgamento egípcio. O que importa é o que você está fazendo. Não os efeitos, mas o que você está fazendo pelo mundo. Porque os efeitos não podem ser pra você. E se agente conseguisse alguma coisa, seria pra nós...

Joshua - Isso é magia negra. Se você vê espíritos, que é uma coisa relativamente comum, embora eu mesmo não acredite que as visões sejam espíritos, se você vê e começa a ganhar, de alguma forma, de qualquer forma que seja, com isso, é magia negra. Mas voltando ao Mundo, tem um repórter... Não me lembro o nome dele. Escreveu "As Digitais dos Deuses". Esse cara visitou uma centena de lugares possuem estruturas que ainda são inexplicáveis para a ciência. Fala de Atlântida, Lemuria, Hi Brasil, que quase ninguém conhece... É genial.

Uma francesa passou pelos dois amigos. Ela tinha um rosto enigmático, como se entendesse e estivesse inclusa em todo aquele assunto. Um holandês alto e careca, com cara de mal, seguia a francesa e fazia tudo o que ela pedia. Depois de trocarem algumas palavras num idioma que não era francês e nem nenhum outro idioma que pudesse ser reconhecido, o homem se aproximou do casal e entregou a Joshua um canudo grosso de couro, aparentemente muito antigo, e vazio. Falou em terrível inglês que eles deveriam lê-lo a noite. Os jovens deram com os ombros e seguiram o caminho conversando.
(...)

::: postado por Luiz C.: jueves, noviembre 02, 2006, horário de Luanda, África
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- Os personagens citados nos textos SÃO FRUTOS DE MINHA IMAGINAÇÃ. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

- Todas as imagens por Luiz Calcagno, exceto Livros (Anna Karla), Menina Sentada na Cama (Nara Lacerda), Dedos (Pcastro) e Feira (Neto).

- Hasta siempre...

Luiz, 23, jornalista.
Latino-americano de espírito, Luiz Calcagno Fettermann nasceu no dia cinco de outubro de 1982. Desenvolveu este blog com a finalidade de publicar seus textos e examinar a progressão técnica do que vem criando desde os 12 anos. Este espaço é um laboratório literário pessoal. A permanência dos textos está sujeita às alterações de humores do autor.
Mariana Proust, Brasília, 25 de Maio de 2005

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