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-Biene viendo...
miércoles, septiembre 27, 2006
Três Versos
Errei por diversas vezes,
E errei mesmo, sem parar,
Por nada que tentasse me deter,
Continuei ignóbil a errar.
De tanto errar uma hora acertei,
Por perseverar, por não desistir,
Por nada que tentasse me obliterar,
Não queria nunca deixar de existir.
Assim resumo meu amor por você,
Minha alma e meu golpe perverso,
Só fiz porque achei que merecia
Uma trilogia de versos.
Z...
Tirei uma foto tua,
Para num futuro qualquer,
Matar essa saudade crua...
A distância não pude vencer,
Mas minha amizade por ela,
Nunca deixarei morrer...
Ela
Sob o seio do abatimento,
Anônima beleza,
Vejo a partida dela,
E percebo com destreza,
Que ela foi embora,
Só pra me causar tristeza.
::: postado por Luiz C.: miércoles, septiembre 27, 2006, horário de Luanda, África
Posición:
miércoles, septiembre 13, 2006
Prelúdio para uma estranha reunião
Carlinha saiu da aula empolgada com o assunto: biologia e evolução, com um professor maluco. E os melhores não são mesmo os "malucos"?
Já havia escurecido. O envelope não saiu da mão da menina, mas também não foi lido. Era hora de trabalhar. A menina ia pegar carona com Thomas, um deslocado jovem da medicina. Alguém que provavelmente não estava no curso certo, mas que gostava muito de tudo aquilo. Aquele dia Thomas estava ainda mais reflexivo que o usual.
- Oi Thomas!
- Oi...
- Tudo bem com você?
- É...
Carla preferiu ficar calada. Ele entregou um jornal do dia para a menina e pediu para a menina dar uma olhada não manchete principal. "AS MULHERES ESTÃO DEIXANDO DE ENGRAVIDAR! No último mês a taxa de natalidade caiu para quase zero em todos os países do mundo". Era uma matéria que dizia que a infertilidade havia aumentado desproporcionalmente nos últimos três meses, e que mulheres férteis se tornaram inférteis de um dia para o outro. Era algo realmente apocalíptico.
- Não acha esquisito, Carla?
- Demais. Será que a humanidade envelheceu? Chegou a uma menopausa? Será que existe uma senhora ou um senhor humanidade e que este está morrendo?
- É o que eu estava me questionando. Você sabia que tenho um filho pequeno?
- Não. Como ele se chama?
- Thomas neto.
- Então seu pai se chamava Thomas.
- ...
Thomas pegou a L2 e seguiu em direção à rodoviária. Um CD do Cold Play rodava no Mp3 player. O volume estava baixo.
- Eu fiquei infértil. Fiz um exame em mim mesmo. Várias vezes. Acho que não são só as mulheres. Vamos ver as próximas notícias sobre o fato.
- Isso se o governo não esconder do povo.
- Por falar em esquisitices, eu achei uma loucura, mas você vai achar mais bizarro que eu achei, com certeza. Olha só o que estava dentro do meu carro hoje cedo...
Thomas entregou um envelope amarelo, com algo pequeno e roliço dentro. Três nomes estavam escritos com pincel: "Thomas"; logo abaixo, "Carlinha"; e abaixo, "Lara". Lara era fotógrafa. Fazia jornalismo no Uniceub e era muito amiga de Carla. Carla, ainda assim não falou do seu envelope. Abriram. Era um rolo do filme.
- Podíamos encontrá-la esse final de semana...
- Quem? Essa tal de Lara? Você a conhece?
- Acho que sim...
- Tenho um env...
- O que?
- Nada. Acho que conheço. Só isso. Vamos ver. Não trabalho no sábado. Você pode?
- Acho que posso... Me liga?
- Ok. Obrigada pela carona. Você é um anjo.
- Não acho que seja. Mas disponha. Bom trabalho.
Carla beijou Thomas no rosto e desceu na rodoviária. Fazia a limpeza noturna.
Já em casa, muito cansada, pegou o envelope e abriu. Misquity deitou-se sobre a cama querendo atenção. Carlinha não ligou. Começou a ler seu misterioso envelope. O livro que a jovem lia teve que ficar de lado por enquanto. Primeiro analisou aquela foto dela num lugar em que nunca esteve. Depois começou a ler...
"Aloha!
Você não deve se lembrar de mim. Meu nome é Agnes, e sou uma amiga sua. A melhor para falar a verdade. Cada uma dessas página é, com exatidão, uma carta. Exceto essa primeira, que é só uma introdução.
Minha querida, sua vida vai mudar muito de agora em diante. E antes que você pergunte, não, você não terá escolha, mas acho que vai gostar. E muitas mudanças são assim mesmo ou então com certeza você ainda teria seis anos de idade. Afinal, essa era sua frase principal: ¿quero ter seis anos, sempre!¿, você se lembra? Acho que não...
Bem, vamos ao que interessa.
1º Você já andou em linha reta até chegar ao mesmo lugar de onde saiu? Então como você sabe que a terra é redonda? Você simplesmente acredita nas fotos e no que te dizem?
2º Então qual é a real diferença entre a sua crença e a crença de alguém, na idade média, que acreditava que a terra era plana?
3º O que você realmente se lembra dessa vida? E o do que você se lembra, o que está no lugar certo, relacionado corretamente ao conjunto de lembranças?
Você era uma menina muito inteligente, até eles te tirarem daqui. Você não consegue se lembrar. Mas nada do que você vive aí é real. Os momentos da vida são como as páginas de um diário, muito concretas no momento em que se escreve, mas uma outra vida dois meses depois."
E quando Carla leu as últimas palavras, adormeceu como se desmaiasse.
::: postado por Luiz C.: miércoles, septiembre 13, 2006, horário de Luanda, África
Posición:
lunes, septiembre 04, 2006
O envelope (primeira parte)
Imagine uma carta anônima,
que te revele uma vida que você nunca imaginou ter,
que te mostre um mundo completamente novo,
para além de todas as estatísticas...
Carlinha acordou daquele jeito, ainda pesada, com muito sono, como se não tivesse dormido. Arrastou-se pelos cômodos da quite e foi preparar o café da manhã. Era uma das piores partes do dia. Sempre achou horrível comer sozinha. Mas muitas outras coisas são boas de fazer sem ninguém, então ainda compensava. Misquity, sua companheira de quarto, saltou pela janela com agilidade e enroscou a cauda peluda nas pernas brancas e lisas da jovem.
- Bom dia Mismis!
- Meown...
- Leite? Espera um pouco. Vou só terminar de esquentar esse pão e preparo leite para nós dois. O que você acha?
- Meooooooooowwwwnnn...
- Não seja apressada. Eu já disse que já estou indo.
Tomaram o café. Misquity saiu veloz pela portinhola da porta da rua e Carla olhou a felina com reprovação. Depois, só novamente, trocou de roupa, penteou o cabelo, escovou os dentes enquanto sussurrava uma música e, quando estava arrumadinha, conferiu as horas, eram nove da manhã. Pegou um livro misterioso, enfiou na bolsa verde, catou as cartas que estavam no chão da entrada (pisoteadas pela gata) dentre elas um envelope marrom, grosso, aparentemente cheio de páginas sem remetente e saiu.
Minutos depois, no ônibus, conferiu os papeis que pegou na porta de casa. Contas, contas e aquele envelope marrom. A jovem conferiu os gastos do mês e incomodou-se com a possibilidade do dinheiro não bastar. Depois enfiou os papeis na bolsa e abriu aquele envelope grande e "bingo", era mesmo um monte de folhas. Carla puxou para fora o bolo, mas não completamente. Na primeira página estava escrito "Top Secret", na segunda, "Leia com atenção tudo o que está escrito depois envie para alguém que você saiba que vai entender. Não deixe cair nas mãos de estranhos. Se tentarem te roubar, queime ou jogue fora".
Carla enfiou as folhas no envelope novamente e olhou temerosa a sua volta, com medo de que alguém pudesse ter lido aquilo. Só havia uma senhora gorda na frente no canto esquerdo e um senhor negro no último banco também da esquerda. Carla estava naquela cadeira alta perto da porta, à direita. Ninguém havia lido. Não havia muito como.
A jovem levantou-se e deu o sinal para que o ônibus parasse. Biblioteca da UnB. Desceu a pé até a biblioteca já ansiosa em saber o que era aquilo, e se havia alguma pista de quem havia mandado aquele estranho envelope. Deu uma olhada enquanto caminhava e viu que havia uma foto solta, em frente à primeira página. Era amassada, não era antiga. Era uma foto da própria Carla, sentada no chão com as pernas cruzadas, com um muro com espessa trepadeira às suas costas, e Misquity enroscada em sua frente, sobre as sandálias de couro da menina.
Nada daquilo era estranho à nossa personagem. No entanto não conseguia, nem com o maior esforço se lembrar daquele dia, daquele lugar, e quem havia tirado aquela foto. Quem mandara a carta? Quem tirara a foto? O fato de aquilo lhe ser tão comum era o que deixava tudo muito mais estranho.
::: postado por Luiz C.: lunes, septiembre 04, 2006, horário de Luanda, África
Posición:
Melhor
Foi melhor pra mim,
Ou foi melhor pra você?
Não vou desistir assim,
Nem parar de beber.
Seus olhos são os melhores
Que alguém poderia ter,
Sinto saudades de tudo,
Não poderei mais viver...
Se foi tão bom assim,
Então foi melhor pra você.
Um verso
Pra ficar no páreo,
E afastar os maus espíritos
Transformo minha tristeza,
Em augúrios esquisitos.
Menina
Aquela voz estridente,
Que dá gastura na gente,
Aquele rosto fino,
Com cara de menino,
Pensando nas espinhas,
Que dão até nojo,
Naquele hálito de miojo,
naquele nariz inchado,
Pensando bem,
Acho que estou apaixonado
Nexos e nabos
Maria Fulô,
Comprando na feira,
Sem eira nem beira,
Falando besteira.
A doida da rua,
A fofoqueira,
Maria Fulô,
Comprando na feira.
Shut Down
Maria nada via, só seguia,
E Edgar sozinho no solar,
Mais um amor terminava,
Mais uma gotinha no mar.
E doía tanto o coração,
Doía de não conseguir respirar,
Sem Maria, Edgar decidiu tudo,
Decidiu, pois, ia se desligar.
Não demorou pra correr a notícia,
Edgar não se encontrava no solar
Arrependeu-se então Maria Bela,
E como ele decidiu se desligar...
Profano - a paródia
Creio em mim mesmo,
Nada poderoso,
Criador de minha realidade,
E em meu coração egoísta e pagão,
Que foi esfaqueado, esmagado e espalhado.
Creio na minha batalha,
Creio em John Lenon,
Na comunhão dos sexos,
Na epifania dos meus pecados,
Na putrefação da carne,
Na vida enferma,
Ah, nem...
Pontada...
Esse lance de lança,
No meu amargo coração,
Está incomodando tanto,
Estou cheio de preocupação.
Esse lance todo de guerra,
Toda essa decepção,
Está lançando no mundo,
Uma onda de depressão.
Mas deixe de brincadeira,
E desse alvoroço gigantesco,
Será que você não entende,
Lança no dos outros é refresco.
Cara de cicatriz
O ferimento não fechou...
Eu é que absorvi.
Eu devoro as cicatrizes,
Que o tempo esqueceu aqui.
Maria Déia e Virgulino Ferreira
Senhora Maria Déia,
Esposa de Zé Neném,
Filha de Maria Joaquina,
Não era Maria ninguém.
Maria de Malhada do Caiçara,
Com certo cangaceiro fala
E vai ser na porta do rifle,
A mais doce e selvagem bala.
Dona Maria Bonita,
Maria do Capitão,
Maria Gomes de Oliveira,
Maria de Lampião.
Onze mais três
Onze chances tivemos,
Onze vezes erramos,
Onze horas perdemos,
E ficamos aqui orando.
Onze dias se foram,
Onze dos nossos morreram,
E depois das onze da noite,
Onze garrafas bebemos.
Onze foram as vezes
Que tentaram me avisar,
Que aquelas onze pessoas,
Naquelas onze semanas,
Por onze deuses e onze diabos,
Iriam me exterminar.
Meretriz
Recebi um e-mail seu,
Com palavras duras e muito cruéis,
Uma verdadeira condenação,
Além de me proibir de voltar,
Além de me encher de aflição,
Me mandou pagar a conta,
Do seu vendido coração.
::: postado por Luiz C.: lunes, septiembre 04, 2006, horário de Luanda, África
Posición:
- Os personagens citados nos textos SÃO FRUTOS DE MINHA IMAGINAÇÃ. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.
- Todas as imagens por Luiz Calcagno, exceto Livros (Anna Karla), Menina Sentada na Cama (Nara Lacerda), Dedos (Pcastro) e Feira (Neto).
- Hasta siempre...
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